sábado, 22 de outubro de 2016

Esse poema




E esse poema não será sobre você
Porque ainda tem algo que me afeta
E tudo que eu sei muda de resposta
Quando eu tento lembrar de te esquecer.

E esse poema não será sobre nós
Porque afinal esqueço que tudo já é em vão
E que em meio a despedidas lentas
Eu só me preparo para a ultima.

E esse poema não será sobre amor
Afinal você nem acredita mais nisso
E eu começo realmente a concordar
Que não deva mais existir pois só poderia se fosse com você.

E esse poema não será sobre o passado
Muito menos sobre o futuro
Deixa ele ser sobre um talvez
Ou um nunca mais.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Alarme




E ela não usava batom
Mas o vermelho lhe caía bem
Nunca gostou de falar
Mas tinha uma bela voz.

Preto era sua cor
Mas sua alma era purpurina
Mesmo sendo solitária
Almejava pessoas.

Ninguém nunca lhe contou que era bonita
Talvez por isso ela não ligava
E por isso mesmo era linda
Pelo simples fato de ser ela mesma.

Não gostava de contato humano
Até o dia que lhe seguraram a mão
Odiava seu apelido
Até o dia que foi entoado pela voz certa.

Lhe disseram que algo lhe faltava
Ela não era par no mundo
Lhe falta uma coisa
E ela passou a ansiar em descobrir.

Mal sabia ela que a resposta viria em alternativas
Confusas e de fácil erro
E nesses erros não lhe contaram os efeitos colaterais
Mas ela foi indo, e indo foi desvendando uma a uma.

E em uma noite o vermelho tomou conta de seus lábios
E de preto só tinha o seu salto
E tudo o que queria era finalmente gritar aos ventos
Que finalmente só o que faltava nela era ele.


domingo, 9 de outubro de 2016

Fatos


E eles já eram como estranhos
Pois em algum dia foram muito além do que conheciam
Ansiaram tanto em descobrir um ao outro
Que acabaram por achar amor.

E no fim desse caminho não havia encontro
Só um vazio que os afastaria
Dois olhares marejados suspensos no ar pesado
Que estremecia com suas tentativas de adeus.

E no fim daqueles trilhos não teve chegada
Nem ao menos um adeus
Porque o sentido não era o mesmo
Nunca se encontrariam enfim além de janelas.

O que ela tinha dele era lembranças
O que ele queria esquecer era toda essa droga.

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Mas nas andanças de anos se encontraram
Uma chegada sem palavras 
Ela não era mais flor e ele não era mais rocha
O inverno cessou suas dores e o Outono trocou todas as folhas secas.

Beijos estranhos foram trocados
Juras de amor foram quebradas 
E ele só conseguia reparar que nada mais sabia sobre ela
E que poderia conhece-la novamente.

Danças foram entoadas
Cartas foram queimadas
E ela só conseguia reparar que afinal nada tinha mudado
Pelo menos agora conseguia encarar esse fato.


Mil cartas

Tantas portas eu abri Tentando te encontrar E tantas outras bati Para fingir que te esqueci. Tantas orações eu entoei Não ...