domingo, 21 de agosto de 2016

Todo Domingo





E todo Domingo a noite eu ligava pra ela
E ela esperava tocar
E eu ansiava ela atender
Tinha que ser todo Domingo.

E eu contava do meu dia pra ela saber
Saber que eu queria que  ela soubesse
Que era importante eu saber
Que ela soubesse tudo de mim.

E ela ria das minhas piadas
E eu não faço piadas
Mas com ela eu conseguia ser palhaço
Rir de minha solidão.

Ah e como era bom ser solitário com ela
Dividir minha solidão com a dela
O silêncio só valia se tivesse o seu timbre
A lua só brilhava quando ela respirava.

E com ela eu podia falar de tudo do mundo
Do padeiro e do engenheiro
Do apaixonado e do Ateu
Da paz mundial e de chocolate.

E falávamos de amor
Sem ao menos eu ter um coração pra isso
Mas fazia sentido falar disso com ela
Tudo com ela parecia verdade
E eu tentava acreditar por ela.

E cada despedida me dava um medo
Medo que fosse o ultimo dia
O ultimo Domingo de nós
Ou talvez de mim.

Até que um Domingo acabou
Depois de três horas de conversa
Eu soube que minhas piadas não seriam mais suficientes
Que minha solidão só seria suprida por chocolate
E que nós nos perdemos por uma estrela qualquer por ai.

E que só a poesia pode me despir
Despir essa saudade que me invade
Todos os Domingos nove horas
E que a Lua vem me estapear 
E me lembrar que ela já dorme
Adormeceu em meus Domingos passados.





Mil cartas

Tantas portas eu abri Tentando te encontrar E tantas outras bati Para fingir que te esqueci. Tantas orações eu entoei Não ...