sábado, 27 de setembro de 2014

Enquanto o verão não chega.




Incrível essa minha habilidade de estragar músicas boas com pessoas erradas. Sério... Por que essa carência de criar trilhas sonoras para o aparente amor? Pior! Para uma aparente paixão de verão? Talvez seja porque tudo parece eterno, marcante (ou queremos que seja). Sentimos a necessidade de eternizar esses momentos em que tudo vale a pena e achamos um motivo á mais por acordar de manhã. De sorrir. De sermos melhores. De ver a vida mais intensamente. Bela.
Mas tudo são estações e quando menos esperamos o vento nos despedaça e o véu cai de nossos olhos. E a poeira invade e inunda de sal nossos lábios. Ás vezes o inverno dura tempo demais e fica difícil acreditarmos novamente no verão. 
Mas ele acaba, assim como nada é eterno o inverno também não. Mas até lá muitas músicas ainda serão prejudicadas, muitos lábios serão salgados e muitas poesias gélidas serão escritas.

(Vanessa Alves)


Espinhos




Difícil te colocar em uma poesia
Te decifrar em letras tão escassas
Talvez porque nada seja tanto
E esse tanto não valha mais nada.

Você veio como uma garoa de verão
Em meio a primavera você regou meu jardim
Acariciou meu rosto 
Seduziu meus ouvidos.

Ah que belo arco-íris tomou conta de nós!

E tudo virou tempestade.

Sua voz virou tortura
Sua presença, saudade.
Seus olhos, vales profundos
E seu sorriso espinhos.

E nada precisa rimar para eu chegar a conclusão que fomos uma poesia torta, uma infelicidade premeditada, um capítulo revirado, amassado, manchado, reescrito e lentamente remendado.

(Vanessa Alves) 

Mil cartas

Tantas portas eu abri Tentando te encontrar E tantas outras bati Para fingir que te esqueci. Tantas orações eu entoei Não ...