segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Make it rain.




Era difícil escutar algo a mais do que minha respiração, oh céus, não conseguia ritmá-la. Estava para chover. Seria lá fora ou dentro de mim?
Coloquei minha camisola e desci na ponta dos pés até a porta dos fundos, torcendo para que a chave estivesse no lugar de sempre. Estava.
Cada letra não saía de meus olhos. Palavras se desmanchavam em meus lábios.
Solos de guitarra dançavam em minha mente... tropeçavam... me deliravam.
E lá estava ele com um blusão por cima do pijama, não deveria ter conseguido dormir. Eu também.
Era uma noite sem estrelas... Sem esperança.
Mas seus olhos brilhavam. Meu fôlego perdido estava ali. Permanecia onde sempre esteve desde que o conheci. O decifrei.
Abri cautelosamente o portão, e seus dedos não esperavam o cadeado se abrir... Oh céus, por que ele mexia comigo desse jeito?
E nossa ânsia se formou um... Nossas lágrimas oceanos. Nossos lábios uma guerra pacifica e nosso coração uma marcha em direção ao paraíso.
E nossa despedida foi assim...  Choveu. Dentro e fora de nós.
 Ainda chove. 
Ainda dói. 
Sem acordo de paz.

Vanessa Alves

sábado, 27 de setembro de 2014

Enquanto o verão não chega.




Incrível essa minha habilidade de estragar músicas boas com pessoas erradas. Sério... Por que essa carência de criar trilhas sonoras para o aparente amor? Pior! Para uma aparente paixão de verão? Talvez seja porque tudo parece eterno, marcante (ou queremos que seja). Sentimos a necessidade de eternizar esses momentos em que tudo vale a pena e achamos um motivo á mais por acordar de manhã. De sorrir. De sermos melhores. De ver a vida mais intensamente. Bela.
Mas tudo são estações e quando menos esperamos o vento nos despedaça e o véu cai de nossos olhos. E a poeira invade e inunda de sal nossos lábios. Ás vezes o inverno dura tempo demais e fica difícil acreditarmos novamente no verão. 
Mas ele acaba, assim como nada é eterno o inverno também não. Mas até lá muitas músicas ainda serão prejudicadas, muitos lábios serão salgados e muitas poesias gélidas serão escritas.

(Vanessa Alves)


Espinhos




Difícil te colocar em uma poesia
Te decifrar em letras tão escassas
Talvez porque nada seja tanto
E esse tanto não valha mais nada.

Você veio como uma garoa de verão
Em meio a primavera você regou meu jardim
Acariciou meu rosto 
Seduziu meus ouvidos.

Ah que belo arco-íris tomou conta de nós!

E tudo virou tempestade.

Sua voz virou tortura
Sua presença, saudade.
Seus olhos, vales profundos
E seu sorriso espinhos.

E nada precisa rimar para eu chegar a conclusão que fomos uma poesia torta, uma infelicidade premeditada, um capítulo revirado, amassado, manchado, reescrito e lentamente remendado.

(Vanessa Alves) 

Mil cartas

Tantas portas eu abri Tentando te encontrar E tantas outras bati Para fingir que te esqueci. Tantas orações eu entoei Não ...