sábado, 30 de março de 2013

Primaveras.




Talvez essa madrugada eu precise de você. Será que depois de tudo você ainda me ouviria? Iria sorrir ao ouvir minha voz bêbada e descontroladamente rouca?
Sabe aquela esquina em que nos despedimos? Ainda passo por lá nas noites frias em que suas mãos não me esquentam mais... Já fazem dez anos? Dez meses? Dez dias?
Uma vida inteira.
Não, você não viria.
Mas eu sim, se você se lembrasse de mim qualquer dia desses e resolvesse engolir esse orgulho... Eu estaria lá a te esperar sabia? Não estou sendo fraca ao deduzir isso... Pelo contrário. Esse castigo perdura, esse silêncio sufoca. Sinto falta dos seus escrachos, de seus vícios, de seus depravamentos...
Idaí que nossos caminhos se desencontraram? Eu lhe amo, e de dentro de mim você nunca sairá, e você chegará de mala e cuia com a cara mais limpa do mundo, e mais uma primavera começará.


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