sábado, 22 de abril de 2017

Mil cartas



Tantas portas eu abri
Tentando te encontrar
E tantas outras bati
Para fingir que te esqueci.

Tantas orações eu entoei
Não para pedir que ficasse
Mas que se tivesse que partir
Que fosse feliz.

De tantas lembranças
Você virou poesia
Por que não só de alegrias são escritas as histórias de amor;

De cordas suspensas eu me equilibrei
Sem ao mesmo saber voar
De tantos abismos pulei
Tentando me salvar de mim.

Incontáveis noites te odiei
Mas orei por ti.

Mil anos se passaram
Mil desejos morreram
E mil cartas foram queimadas.

domingo, 13 de novembro de 2016

Já me conformei.


Já me conformei com o silêncio 
Depois de tantos gritos
Aceitei seus defeitos
Depois que descobri eles em mim.

Já me conformei em te querer
Depois de tantos cacos 
Me perdoei por errar
Depois de apenas tentar acertar.

Já me conformei em te deixar ir
Pois sempre posso aguardar sua chegada
Me arrependi de tentar lhe explicar
Fácil mesmo seria te abraçar.



sábado, 22 de outubro de 2016

Esse poema




E esse poema não será sobre você
Porque ainda tem algo que me afeta
E tudo que eu sei muda de resposta
Quando eu tento lembrar de te esquecer.

E esse poema não será sobre nós
Porque afinal esqueço que tudo já é em vão
E que em meio a despedidas lentas
Eu só me preparo para a ultima.

E esse poema não será sobre amor
Afinal você nem acredita mais nisso
E eu começo realmente a concordar
Que não deva mais existir pois só poderia se fosse com você.

E esse poema não será sobre o passado
Muito menos sobre o futuro
Deixa ele ser sobre um talvez
Ou um nunca mais.


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Alarme




E ela não usava batom
Mas o vermelho lhe caía bem
Nunca gostou de falar
Mas tinha uma bela voz.

Preto era sua cor
Mas sua alma era purpurina
Mesmo sendo solitária
Almejava pessoas.

Ninguém nunca lhe contou que era bonita
Talvez por isso ela não ligava
E por isso mesmo era linda
Pelo simples fato de ser ela mesma.

Não gostava de contato humano
Até o dia que lhe seguraram a mão
Odiava seu apelido
Até o dia que foi entoado pela voz certa.

Lhe disseram que algo lhe faltava
Ela não era par no mundo
Lhe falta uma coisa
E ela passou a ansiar em descobrir.

Mal sabia ela que a resposta viria em alternativas
Confusas e de fácil erro
E nesses erros não lhe contaram os efeitos colaterais
Mas ela foi indo, e indo foi desvendando uma a uma.

E em uma noite o vermelho tomou conta de seus lábios
E de preto só tinha o seu salto
E tudo o que queria era finalmente gritar aos ventos
Que finalmente só o que faltava nela era ele.


domingo, 9 de outubro de 2016

Fatos


E eles já eram como estranhos
Pois em algum dia foram muito além do que conheciam
Ansiaram tanto em descobrir um ao outro
Que acabaram por achar amor.

E no fim desse caminho não havia encontro
Só um vazio que os afastaria
Dois olhares marejados suspensos no ar pesado
Que estremecia com suas tentativas de adeus.

E no fim daqueles trilhos não teve chegada
Nem ao menos um adeus
Porque o sentido não era o mesmo
Nunca se encontrariam enfim além de janelas.

O que ela tinha dele era lembranças
O que ele queria esquecer era toda essa droga.

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Mas nas andanças de anos se encontraram
Uma chegada sem palavras 
Ela não era mais flor e ele não era mais rocha
O inverno cessou suas dores e o Outono trocou todas as folhas secas.

Beijos estranhos foram trocados
Juras de amor foram quebradas 
E ele só conseguia reparar que nada mais sabia sobre ela
E que poderia conhece-la novamente.

Danças foram entoadas
Cartas foram queimadas
E ela só conseguia reparar que afinal nada tinha mudado
Pelo menos agora conseguia encarar esse fato.


domingo, 21 de agosto de 2016

Todo Domingo





E todo Domingo a noite eu ligava pra ela
E ela esperava tocar
E eu ansiava ela atender
Tinha que ser todo Domingo.

E eu contava do meu dia pra ela saber
Saber que eu queria que  ela soubesse
Que era importante eu saber
Que ela soubesse tudo de mim.

E ela ria das minhas piadas
E eu não faço piadas
Mas com ela eu conseguia ser palhaço
Rir de minha solidão.

Ah e como era bom ser solitário com ela
Dividir minha solidão com a dela
O silêncio só valia se tivesse o seu timbre
A lua só brilhava quando ela respirava.

E com ela eu podia falar de tudo do mundo
Do padeiro e do engenheiro
Do apaixonado e do Ateu
Da paz mundial e de chocolate.

E falávamos de amor
Sem ao menos eu ter um coração pra isso
Mas fazia sentido falar disso com ela
Tudo com ela parecia verdade
E eu tentava acreditar por ela.

E cada despedida me dava um medo
Medo que fosse o ultimo dia
O ultimo Domingo de nós
Ou talvez de mim.

Até que um Domingo acabou
Depois de três horas de conversa
Eu soube que minhas piadas não seriam mais suficientes
Que minha solidão só seria suprida por chocolate
E que nós nos perdemos por uma estrela qualquer por ai.

E que só a poesia pode me despir
Despir essa saudade que me invade
Todos os Domingos nove horas
E que a Lua vem me estapear 
E me lembrar que ela já dorme
Adormeceu em meus Domingos passados.





domingo, 24 de janeiro de 2016

Nada fala mais que a poesia.



- Estou indo.
- Até logo.

Deus sabe o tanto que eu clamei por isso
Que tudo acabasse.
Mas a despedida dói
Aperta o coração de lembranças.

Queria tanto poder recordar cada momento bom de novo
De novo, de novo e novamente.
Mas o que me resta é esse gosto de saudade
De notas soltas no ar que eu nem sabia mais tocar.

Cumplicidade.
Nada é tão real quanto dois sorrisos pares adoçando o ar pesado
Que tudo de negro vire pó e que só me reste o "nós".

 Não sei o que nos reserva, distância é solidão
É momentos tatuados em todos os lugares
E pra mim você foi sempre poesia
Meio torta talvez, 
Mas minha.

Ás vezes tenho que me lembrar que tudo que é demais machuca
E que mesmo sendo tão sua devo ser mais minha.

Vou tentar recompor meus olhos
Te recordar apenas como uma página rabiscada
Que mesmo manchada me cobriu de paz.

Apenas me ajude a continuar
Sozinha, mas ao teu lado.
Distante, e contigo. 

E a cada partida sua descubro incessantemente
 que sua chegada é cada segundo mais importante.



Mil cartas

Tantas portas eu abri Tentando te encontrar E tantas outras bati Para fingir que te esqueci. Tantas orações eu entoei Não ...