sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Chovia


                               


Lembro que chovia muito
O lugar era tão nosso 
Foi você que me avisou 
Ai me dei conta que nem ali estava.

Tocava uma música sem graça
Que você insistia em cantarolar
Ela pareceu ter mais sentido
Enquanto você a proclamava.

Era um boteco qualquer
Provavelmente nunca o notaria
Mas naquela tarde tinha mais cor
Tinha mais vida.

Não era data ou fim de semana
Mas sentia como se fosse Natal
Ou quem sabe um aniversário
Que o presente é aguardado.

Era dia de semana , mas parecia feriado
Era vento de verão com gosto de brisa do mar
Era conversa com os olhos
Poema com as mãos.



sexta-feira, 27 de julho de 2018

Nutella

                            



Ela sempre foi uma boa menina
Ele sempre no limite.
Ela almejava encontrar o amor
Ele jogava futebol.

Ela estudava
Ele comia Nutella.
Ela dormia
Ele se perdia.

Ela se apaixonava
Ele ainda comia Nutella.
Ela ganhava espaço
Ele tomava tequila.

Ela era de Marte
Ele nem chegara á Minas.
Ela tinha medo do mundo
Ele tinha medo dela.

Ela criava caminhos
Ele escalava montanhas.
Ela abria o guarda-chuva
Ele brincava na chuva.

Ela passou a comer Nutella
Ele preferiu café.
Ela passou a se molhar
Ele se mudou para Minas.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Faz assim...

                               


Faz assim, me faz sentir que o ar é doce
Que as noites foram feitas para dançar
Que o escuro é caminho sem volta
E que na luz seus olhos brilham.

Faz assim, a gente se esbarra por ai
Você larga seus amigos de sempre
E saímos por ai sabe... Qualquer lugar.
Do bar da esquina á Torre Eiffel.

Faz assim, me chama , mesmo que eu não vá
Me deixe ganhar de vez em quando 
Te odiar alguns dias só pra eu sacar
Que tem seu nome em tudo por ai.

Faz assim... Me irrita até eu te xingar
Ri da minha cara quando eu for chata
Me assuste no meio do povo
Só para eu saber que a tua loucura é pior que a minha.

Vou fazer assim... Te mostrar o sabor do ar
Dançar em todas as esquinas possíveis
Te irritar até você me xingar, do bar á Paris
Fingir que me assustei sempre que você aparecer.

Faz assim que eu vou fazer assim.


sábado, 21 de abril de 2018

Gotas em meio ao Mar.

                               


Você diz que sempre sabe das coisas
E ela ecoa no silêncio feito raio
Mal sabe que é chuva de verão
E que todas suas certezas são duas gotas em meio ao mar.

Você sofre por enganos
E eu por certezas.
Você se afoga em solidão
E eu em companhia.

Vejo suas más escolhas
E questiono a minha
Que escancara a cada silêncio
Minha vontade de gritar.

Tenho em mim seus sorrisos
E o estralo de cada gota
As suas que ecoam ao telefone
E as minhas que ensopam o travesseiro.

Tentando te encontrar me perco por ai
Tentando entender me perdi de mim
E me vi em esquinas a te esperar
E só vi você partir.

sábado, 31 de março de 2018

You are looking for love....

                             


Suas palavras tem gosto de companhia 
Daquelas de fim de tarde
Vendo o sol se esconder...
Nos seus olhos.

E da vontade de parar a cidade
Para te ver passar
De florir todos os campos
Para você decidir ficar.

Já que não dá. vamos fingir
Brincar de inventar que o eterno existe
Que você nunca irá embora
E que todos os dias serão de sol.

Você tem gosto de descoberta
Do azedo ao doce
Do amargo ao cítrico
Do inverno ao Verão.

Nos invernos um café quente
No outono vento
Na primavera carinho
No verão amor.

*Vanessa Alves.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Remédio.

                                 

Preciso de um remédio que me faça te esquecer
Exceto o timbre do seu sorriso.

Preciso de um remédio que me faça entender
E por fim aceitar que não há explicação.

Preciso de um remédio que me faça enxergar
Que meu único remédio é você.

*Vanessa Alves.

sábado, 17 de março de 2018

Voz de Soneto


Você é tipo aquelas músicas 
Que nos primeiros três segundos já dá pra sacar
Que será de mil vezes ouvida
E de três ou quatro lágrimas esvaída.

Você é vibração
Daquelas do mindinho ao pé do ouvido.

Sua voz é igual soneto de fidelidade
Que dá vontade de guardar 
Pra ouvir quando tudo der errado.

Seu riso é valsa de debutante
Daquelas de quando o coração ainda está menos quebrado.

Vanessa Alves *

Chovia

                                Lembro que chovia muito O lugar era tão nosso  Foi você que me avisou  Ai me dei conta que ...